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Comunicação e Educação em Sustentabilidade é tema de encontro em Porto Alegre 
CEBDS - 01/09/2010 - Comunicação e Educação

Com o tema “Comunicação e Educação para a Sustentabilidade, o Cebds realizou no dia 31 de agosto, no Sheraton Porto Alegre, o segundo encontro do Ciclo Sustentável 2010. A presidente-executiva do Cebds, Marina Grossi, abriu o evento destacando a importância da descentralização do debate como forma de acelerar a implementação da sustentabilidade nas empresas de todo o país. O terceiro encontro será em Salvador, com o tema Negócios Inclusivos. No evento, também foi apresentada a campanha “Educação para a Sustentabilidade”, para mostrar como o tema está presente no nosso dia a dia.

Formação em Sustentabilidade

Do primeiro painel, mediado por Ana Lúcia Suzuki, presidente da Câmara Temática de Gestão Sustentável do Cebds e gerente de Responsabilidade Social da Basf, participaram Samyra Crespo, do Ministério do Meio Ambiente; Raquel Negrão, da Unicamp; Cleci Maria Jurach, secretária municipal de Educação de Porto Alegre; Paulo Rezende, secretário substituto de Educação do Rio Grande do Sul; Eduardo Eizirik, professor da Puc do Rio Grande do Sul; Sheila Ceccon, do Instituto Paulo Freire, e Igor Oliveira, da Ong Net Impact.

Ana Lúcia Suzuki vem liderando o esforço do Cebds para mobilizar as empresas e fazer gestão junto aos governos e instituições de ensino para alertá-los sobre a importância de se ensinar na escola – nas universidades, principalmente – pelo menos os conceitos básicos da sustentabilidade. “Não estou defendendo apenas o interesse das empresas, que de fato reduziriam a enorme quantidade de tempo e dinheiro gastos hoje na formação dos funcionários recém-chegados, mas é do interesse de todos nós - empresas, escolas, sociedade, planeta - que os nossos profissionais saibam como evitar danos, diminuir impactos, gastar menos e compartilhar mais”, afirma.

Ela explica que a intenção não é acabar com o treinamento corporativo que aplica os conceitos de sustentabilidade no dia a dia das empresas, mas reduzir esse trabalho. Ana Lúcia estima que se esses conceitos fossem abordados na formação acadêmica, seria possível reduzir em dois terços todo o tempo gasto para capacitar os profissionais recém-chegados. “Seria muito importante que os alunos de todos os cursos soubessem ao menos o que é sustentabilidade, engajamento com stakeholders, cadeia de valor, relatório de sustentabilidade, conceitos que ajudam a formar o caminho para esse novo modelo de desenvolvimento econômico que todos nós buscamos”. 

A professora Raquel Negrão deu uma aula de sustentabilidade em vários aspectos. Como coordenadora do Curso de Gestão da Sustentabilidade e da Responsabilidade Social da Unicamp, ela mostrou sua experiência em transmitir as alunos princípios de sustentabilidade que além de ampliar o conhecimento, também devem influenciar comportamentos e atitudes. Ela também mostrou como o tema permeou sua própria carreira, defendendo entre outras coisas, as estruturas em rede em substituição às estruturas hierárquicas.

Pesquisa

No segundo painel do Encontro, Fabián Echegaray, da Market Analysis, apresentou os resultados da pesquisa Comunicação e Educação para a Sustentabilidade: Mapeando os Desafios e Oportunidades, encomendada pelo Cebds especialmente para o encontro. A pesquisa indicou a necessidade dos comunicadores repensarem a forma com que fazemos a comunicação sobre sustentabilidade.

De acordo com os resultados, 98% das pessoas entrevistadas disseram já ter ouvido falar alguma coisa sobre meio ambiente ou responsabilidade social nos últimos tempos, mas só 63% disseram ter tido acesso a algum conteúdo informativo a partir dessa comunicação. Segundo o pesquisador, esses dados ajudam a entender porque o conceito de sustentabilidade entre as pessoas ainda está reduzido aos estereótipos de reciclagem e reaproveitamento. Outro dado que chamou a atenção é que apenas 15% das pessoas disseram acreditar que as empresas de fato fazem o que dizem na comunicação sobre sustentabilidade.

Os resultados foram em seguida comentados pelo professor Rudimar Baldissera, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que ponderou o fato de que a pesquisa, qualquer que seja ela, não deve ser tomada como verdade absoluta, mas como um viés, um recorte, um olhar sob um ponto de vista determinado. Eraldo Carneiro, presidente da Câmara de Comunicação e Educação do Cebds e gerente de Planejamento e Gestão da Comunicação da Petrobras, afirmou que a autocrítica e a reflexão impostas pelos dados da pesquisa são imprescindíveis para melhorarmos o trabalho da comunicação em sustentabilidade. Opinião compartilhada também por Rodrigo V. Cunha, gerente executivo de Comunicação do Grupo Santander, considerado uma referência positiva de comunicação em sustentabilidade pela pesquisa. “Esse trabalho (de comunicação em sustentabilidade) está apenas começando, nós temos mesmo muito a aprender ainda”, afirmou.

Eraldo e Rodrigo ajudaram a formular o Guia de Comunicação e Sustentabilidade do Cebds, considerado muito avançado tanto pelo pesquisador quanto pelo acadêmico convidados para o debate. “O guia contribui para a autoregulamentação do setor, que é um elemento importante para acompanhar as ações e os resultados da comunicação em sustentabilidade”, disse Echegaray.

Roberto Cassano, diretor de Estratégia da Frog Comunicação, quebrou o clima com uma palestra divertida sobre a responsabilidade das agências nesse distanciamento entre intenção e resultado das campanhas. Segundo ele, sustentabilidade, como já tinha dito Eraldo Carneiro pouco antes, é mesmo um tema muito complexo para ser tratado em campanhas publicitárias que normalmente tratam de produto. “É empacotar e vender. Não se empacota e vende um conceito intangível assim. Às vezes acontece um momento de genialidade, como quando a F Nazca fez a campanha estimulando as pessoas a fazerem xixi no banho para economizar a descarga, mas não é sempre. É preciso substantivar o tema, fazer com que ele deixe de ser abstrato”, afirmou.

Assessoria de Imprensa do CEBDS 


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