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Empresas, governo e cientistas unidos pela biodiversidade 
CEBDS - 28/08/2010 - Biodiversidade e Biotecnologia

O presidente do Conselho de Administração do Grupo Abril, Roberto Civita, abriu o encontro chamando a atenção para a urgência de encontrarmos uma resposta para conter as perdas de nossos recursos naturais. “Não temos mais tempo a perder. A hora é agora”.

chairman do Cebds, Marcos Bicudo, destacou a importância que a dimensão econômica da perda de biodiversidade vem ganhando em todo o mundo, numa referência ao relatório TEEB, sigla em inglês para a Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade. O estudo divulgado em julho apontou que o prejuízo anual em diversidade biológica é de algo em torno de 2,5 e 4,5 trilhões de dólares.

Para Bicudo, incorporar valores ambientais e sociais será decisivo para assegurar a rentabilidade e a segurança das empresas, já que a tendência é que os consumidores busquem cada vez mais produtos sustentáveis. “Estamos criando um novo paradigma, o de uma economia verde, de um novo modelo de desenvolvimento econômico”, afirmou. Bicudo também ressaltou que o Brasil tem a obrigação de liderar os esforços por uma nova economia, mais sustentável.

Disposição de medir impactos

Para a presidente-executiva do Cebds, Marina Grossi, as medidas que vêm sendo adotadas no Brasil e no mundo para conter as perdas não alcançam os objetivos esperados. “Nós chegamos a 2010 com 60% da biodiversidade ameaçada. A resposta ainda é inadequada”, afirmou. Marina lembrou que o papel do Cebds é mostrar os rumos; por isso propôs a realização do evento realizado em parceria com o Grupo Abril e com o patrocínio da Petrobras.

Marina Grossi anunciou a disposição das empresas brasileiras de medir seus impactos em biodiversidade, um compromisso que estará registrado na publicação que o Cebds vai levar a Nagoia com experiências das empresas brasileiras na redução de impactos. Ela espera que a ferramenta de medição de perdas em biodiversidade a ser apresentada pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) em Nagoia possa servir para esse propósito. “Esse fórum, as reuniões preparatórias e a nossa presença em Nagoia são partes do desafio do Cebds para mobilizar as empresas a participar desse esforço para frear as perdas e criar um novo modelo de desenvolvimento mais sensato e responsável.”

Um público novo na plateia

Apesar de o Brasil ter alcançado 75% da meta traçada pelo mundo em criação de unidades de preservação ambiental, o balanço feito pelo Ministério do Meio Ambiente sobre as metas estipuladas como compromisso ainda é negativo. “Os objetivos não foram alcançados porque o tema da Biodiversidade ainda não está na agenda política e econômica brasileira. Espero que este evento seja uma mostra de que talvez a gente possa esperar uma resposta mais rápida para os próximos compromissos”, afirmou Maria Cecília Wey de Brito, secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente.

A secretária também destacou a novidade de um evento como esse. “Normalmente a gente fala para convertidos, gente que entende tanto do assunto quanto a gente ou até mais. Essa é a primeira vez que falo para esse público (de empresários), pessoas que a gente normalmente encontra mais em situações de embate”, comentou. Ela defendeu a importância da discussão sobre como alcançar mais sucesso nas metas que estabelecermos entre 2011 e 2020 e lembrou que há outras discussões igualmente importantes, embora muito mais complexas, como é o caso do debate sobre o regime de acesso aos recursos genéticos.

História em imagens

A parte ilustrada do encontro ficou a cargo de Joel Sartore, fotógrafo e pesquisador americano da National Geographic, que apresentou uma série de slides com fotos impressionantes da vida na terra e na água feitas ao longo da sua carreira na revista, uma das mais importantes do mundo. Entre as várias imagens que o fotógrafo usou para falar sobre a necessidade de agirmos logo, estavam as de um sapo numa panela de água que esquentava sobre a trempe acesa de um fogão. “Se o colocarmos na panela com água fria, ele fica até a água ferver e ele morrer cozido. Ele não sai porque não percebe que a água esquentou, porque a mudança aconteceu gradualmente”, alertou.

A biodiversidade e a nova economia

O debate científico do dia foi entre o economista José Eli daVeiga, a secretária do Meio Ambiente Maria Cecília Wey de Brito e o professor de Ecologia da Unicamp Thomas Lewinsohn, que trataram da valoração dos serviços ambientais. Eles lembraram da dificuldade de se tratar do assunto em algumas rodas de cientistas que acreditam que a vida jamais pode ser medida. Thomas Lewinsohn foi outro que ressaltou a surpresa do encontro entre empresários e ambientalistas. “Há dez anos, eu não acreditaria que essa reunião de hoje seria possível”.

José Eli defendeu a vertente pragmática dos pensadores que preferem dar valor a algumas dessas espécies de vida, recurso natural ou serviço ambiental pelo benefício que essa valoração pode gerar, ou seja, a proteção da vida. Como exemplo, ele contou a história dos usineiros de cana de açúcar do interior de São Paulo que deixaram crescer as matas próximas à beira dos rios porque se não o fizessem, não conseguiriam a certificação necessária para exportar. Em 10 anos, a cobertura de mata atlântica do estado pela primeira vez começou a aumentar. Outros fatores também influenciaram o crescimento da floresta, como a ação do Ministério Público e da fiscalização do governo paulista, mas o movimento foi impulsionado pelo valor econômico.

Ações das empresas

Num dos paineis organizados na parte da tarde, Fábio Scarano, da Conservação Internacional; Marcos Vaz, da Natura; Maurício Messias, do Banco do Brasil; Bráulio Dias, do Ministério do Meio Ambiente; Mônica Linhares, da Petrobras e Glauce Ferman, da Michelin, falaram sobre as experiências de suas empresas para lidar com a biodiversidade, reduzir seus impactos e transformar riscos em oportunidades.

“Mitigação de risco e financiamento” foi o tema do segundo painel, que reuniu Marcio Macedo da Costa, do BNDES; Carlos Klink, do International Finance Corporation; Cláudio Maretti, do WWF; Thais Magalhães, da Alcoa; Josemar Picanço, da Coca-Cola e Gabriela Burian, da Monsanto.

Assessoria de Comunicação do CEBDS 


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